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Números por toda a parte: São Bento e região em estatísticas #1

Saiba mais sobre os números e as estatísticas da nossa cidade e o que esses dados significam
postado por jornalismo em   27/07/2016

Por Marcos Vinícius Pó

“Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas”, João Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas

Nessa seção pretendo trazer mensalmente para os leitores do Acontece São Bento um pouco das muitas informações, estatísticas e indicadores disponíveis em fontes oficiais sobre as cidades de Brasópolis, Gonçalves, Paraisópolis, Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí e Sapucaí-Mirim. Também vou explicar um pouco o que esses eles representam e fazer algumas análises sobre o que os números podem estar sinalizando para a região e para as políticas públicas.

Estatísticas e dados sobre os municípios

Em suas ótimas ironias, Mark Twain popularizou a expressão “há três tipos de mentiras: mentiras, mentiras desgraçadas e estatísticas”. A frase serve para lembrar que os números agregados das estatísticas podem, por vezes, ocultar aspectos relevantes de uma realidade.

Por outro lado, sem estatísticas corremos o sério risco de ficar perdidos ao tentar analisar as situações que a população e as cidades enfrentam. Os números são lanternas que nos sinalizam facetas e tendências importantes da realidade, por isso é que países investem tanto para obter dados de qualidade sobre sua sociedade. Aqui no Brasil temos instituições com o mesmo patamar de confiabilidade das melhores do mundo, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), a Fundação Seade, entre outros.

Assim como um médico usa os números apresentados nos exames junto com as informações trazidas pelo paciente e pelo seu histórico para tentar fazer um diagnóstico preciso sobre a situação da pessoa, as estatísticas e indicadores são bases para pensarmos e discutirmos a situação dos municípios da região.

Nessa primeira edição trago uma visão geral sobre os municípios, as características de suas populações e o desenvolvimento municipal.

1.O tamanho dos municípios

grafico 1

População: os dados são obtidos pelos Censos do IBGE realizados a cada 10 anos (o último foi realizado em 2010) e atualizados por estimativas em julho de cada ano.

Percentual de municípios com população menor: verificamos a porcentagem de municípios brasileiros que possui uma população menor, visando dar uma panorama do tamanho populacional de cada cidade. No Brasil a imensa maioria dos municípios é de pequeno ou médio porte, 75% das cidades tem população inferior a 25 mil habitantes.

Área: dados definidos pelo IBGE. Os municípios brasileiros têm tamanhos muito variados, alguns na região norte são maiores que países como Portugal e Irlanda. Em Minas Gerais os municípios tem uma área média de 687,6 km2 e em São Paulo de 384,8 km2.

2.Renda, Índice de Desenvolvimento Humano Municipal e Bolsa-Família

grafico 2

PIB per capita: representa quanta riqueza cada cidadão do município possuía em média em 2013, dado mais recente disponível. A riqueza inclui rendas, propriedades, infraestrutura, investimentos, entre outros itens, e é estimada pelo IBGE. O PIB per capita médio brasileiro de 2013 foi de R$ 26.445. As cidades da região possuem resultados próximos, com um destaque maior para Paraisópolis, mas todas abaixo da média nacional.

Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM): é uma medida composta de indicadores de longevidade (expectativa de vida ao nascer), educação (composição de indicadores de escolaridade da população adulta e do fluxo escolar da população jovem) e renda (renda média de cada residente do município). Os cálculos foram feitos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) a partir dos dados do censo do IBGE para os 5.565 municípios brasileiros em 2010. Os resultados variam entre 0 e 1, sendo que, quanto maior o valor, melhor o desenvolvimento humano. O melhor município brasileiro, São Caetano do Sul/SP, tem IDHM de 0,862.

Segundo os critérios do PNUD, Brasópolis, Gonçalves e Sapucaí-Mirim são classificados como IDHM médio, enquanto Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí e Brasópolis estão na faixa de IDH alto. Apesar de todas terem melhorado seu IDHM em relação a 2000, São Bento do Sapucaí foi a única a subir no ranking no período (244 posições). O item que afeta mais negativamente os resultados das cidades é o componente de Educação.

Beneficiários de Bolsa-Família: foi calculada a quantidade de indivíduos que seguem ativos em relação aos benefícios do Programa Bolsa-Família, com base nos registros disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário de maio de 2016. Também calculamos a proporção de beneficiários em relação à população de cada cidade. Quase todas as cidades possuem uma proporção de beneficiários parecida, com uma incidência um pouco maior em Santo Antônio do Pinhal e significativamente menor em Gonçalves.

3.Características demográficas da população: gênero e idade

3.1. Relação entre população masculina e feminina

grafico 3

Razão de sexo: representa a quantidade de homens existentes para cada grupo de 100 mulheres. Números superiores a 100 representam uma maior quantidade de homens que de mulheres, números menores que 100 indicam uma predominância feminina. No Brasil, segundo o censo de 2010, havia 96 homens para cada 100 mulheres, mas essa proporção varia conforme a faixa etária. Diferente do padrão brasileiro, as cidades da região tem uma população predominantemente masculina em quase todas as faixas etárias. Isso ocorre com mais intensidade em Gonçalves e com menor força em São Bento do Sapucaí.

3.2. Faixas etárias da população

grafico 3.2

Dividindo a população apurada no censo de 2010 em faixas etárias e comparando os resultados com o Brasil, podemos verificar que em geral as cidades da região tem uma menor proporção de pessoas até os 29 anos e um maior volume de pessoas acima dos 45 anos do que no padrão brasileiro, ao passo que na faixa entre 30 e 44 anos todas as cidades estão bem próximas da referência. Essa característica de população mais envelhecida é acentuada em Brasópolis, Gonçalves e São Bento do Sapucaí, enquanto Santo Antônio do Pinhal e Sapucaí-Mirim possuem uma população com características etárias bem próximas do que é encontrado em geral no Brasil.

Espero que esses dados ajudem a trazer outro olhar sobre a região e sobre cada cidade, e também a nos fazer perguntar os porquês deles e o que queremos para cada município. Dúvidas, sugestões e críticas sobre a coluna são sempre bem vindas!

 

Marcos Vinicius Pó é engenheiro e doutor em Administração Pública e Governo pela Fundação Getulio Vargas. Atuou 15 anos na defesa do consumidor e atualmente é professor dos bacharelados de Políticas Públicas e de Planejamento Territorial na Universidade Federal do ABC. Desde 1997, sempre que pode, vem respirar os ares de São Bento do Sapucaí e região. (marcos.po@ufabc.edu.br)

 

*Fontes:Bolsa FamíliaIDHMAtlas Brasil e IBGE 


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